Todas vocês sabem o quanto é difícil falarmos sobre nós mesmas. Sobre nossa história, personalidade, sobre nossas angústias e desejos. Comigo não é diferente! E, por isso, este texto que abre o blog será um exercício – de autoconhecimento e de desprendimento. Sim, dar a cara à tapa não é fácil, mas às vezes é necessário e faz bem – podem acreditar.
Nunca me vi como uma mulher forte. Pelo contrário, sempre pensei que não suportaria uma dor aguda, ou uma decepção terrível, ou qualquer outra provação que a vida pudesse me apresentar. Apesar de ter sofrido muito por causa de uma meningite aos sete anos de idade, fui uma criança como todas as outras. Segui minha adolescência sem grandes acontecimentos, vivia rodeada de amigos, família, com uma vida simples e feliz. O tempo parecia passar muito rápido, tão rápido que eu sequer lembro de detalhes desse período – a vida passava e eu só acompanhava o tempo. Mal sabia que só chegando perto dos quarenta anos iria me descobrir.
Há exatos dois anos, oito meses e quatorze dias vivi uma experiência dura, doída e transformadora. Completando o sexto mês de uma gravidez não planejada mas muito curtida, fui acometida por uma síndrome que levou minha bebê e me deixou à morte. A Síndrome Hellp, pouco conhecida e avassaladora, é uma complicação da gravidez e ocorre em cerca de 0,7% das gestações. Sim, pode parecer pouco, ou até mesmo raro, mas eu fui escolhida para fazer parte desse número…As causas ainda são desconhecidas, e o tratamento é realizar o parto imediatamente, independentemente da prematuridade do bebê.
E foi assim que aconteceu. Uma dor aguda no estômago fez minha mãe (obrigada, mãe) correr comigo até a maternidade, e ficar ao meu lado desde o primeiro atendimento até recebermos a notícia da Hellp. Não havia o que fazer a não ser o parto imediato. Meu bebê já tinha pouquíssimas chances de sobreviver, e se não tomássemos a decisão de ir para o centro cirúrgico eu também não sobreviveria. Isabel, minha filha, era ainda muito pequenininha para aguentar tanto sofrimento. Nasceu, ficou um tempinho ao meu lado e partiu.
E foi aí que eu renasci. Com uma dor imensa, tanto no corpo quanto na alma, mas renasci. Logo ao acordar na UTI pensei “tenho que escrever sobre isso, não é possível que mulheres passem por isso sem nem saber que a Hellp existe”. Foi um pensamento imediatista, claro, eu ainda passaria por um longo período de recuperação física e reconstrução emocional. Foram dois longos anos de terapia, de choros, de alegrias, de aprendizados, de gratidão. Hoje sei que minha filha veio me mostrar o quão forte eu posso ser, e o quanto a vida é linda e urgente.
Muito prazer, eu sou Manu Pinheiro, mãe da Isabel, jornalista, escritora, empresária, tenho uma gratidão enorme por estar viva e todos os dias levanto com a vontade de aproveitar ao máximo esta oportunidade. Eu sou um mulherão da porra.

Que linda essa mulher que jã nasceu adulta com uma historia e escrevendo a sua continuação em outro cenário completamente diferente. Um Mulherão da Porra mesmo.
Parabéns meninas abriram o Blog com uma impressionante história de superação
CurtirCurtido por 1 pessoa